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  Saúde

Lista de espera das cirurgias eletivas vem diminuindo no município

Caçapava do Sul tem 75 pessoas que aguardam por cirurgia eletiva. No Brasil, a lista de espera ultrapassa 900 mil pessoas. As cirurgias eletivas não são consideradas de urgência ou emergência

Por farrapo.rs
06/12/2017 15:00
 

O Hospital de Caridade Dr. Victor Lang deixou de realizar cirurgias eletivas pagas pelo Estado em 2015. O motivo foi à falta de repasse como complemento ao Hospital para a realização dos procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme explica a regulação, responsável pelo agendamento de consultas da Secretaria de Saúde.

As cirurgias eletivas feitas no Hospital local são de convênios, particular, ou pagas pelo Município quando necessário e disponibilizada, porque os valores pagos pelo Estado são para cirurgias de emergência e partos.

“Desde 2016, há uma lista de espera, que vem reduzindo, gradativamente, pois o hospital de Porto Alegre, a pedido da Coordenadoria Regional de Saúde, passou a atender a realização de alguns procedimentos eletivos de nosso município”, disse Maria Geni, servidora da regulação.

Daiane Marques, que também é servidora da regulação, informou que a lista de espera para cirurgias gerais são de 75 pessoas e de geral adulto 66 pessoas para procedimentos como cirurgias pediátricas, de vesícula, hérnia, varizes entre outros como traumatologia.

“Nosso trabalho para otimizar a fila é investir na realização de um cadastro com o máximo de informações dos pacientes e procedimentos realizados, que vem sendo implantados, otimizando o tempo na fila de espera”, disse Marques.

Segundo Zoila Dias, a Secretaria está fazendo um levantamento de gastos médio com os passageiros que se deslocam mensamente para a realização destas cirurgias para um estudo da atual gestão.


No Brasil, SUS tem 904 mil cirurgias eletivas na lista de espera

Foto: Reprodução
Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que pelo menos 904 mil cirurgias eletivas estão pendentes no Sistema Único de Saúde (SUS) em diferentes estados e municípios do país. A informação foi divulgada pela Agência Brasil nesta semana.

As cirurgias eletivas não são de urgência ou emergência. O estudo, feito pela primeira vez pelo conselho, mostra que do total pelo menos 746 procedimentos cirúrgicos estão na fila de espera há mais de dez anos e 83% dos pedidos foram apresentados a partir de 2016. O Ministério da Saúde informou que desde maio passou a adotar o sistema de fila única para organizar a demanda.

A pesquisa traz dados enviados pelas secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais até junho deste ano. Outros sete estados e oito capitais não enviaram informações, alegando não tê-las disponíveis ou por negativa de acesso aos dados. Por ser o primeiro levantamento desse tipo, não há dados dos anos anteriores. A pesquisa contabiliza o número de procedimentos agendados, e não o número de pacientes na fila.


Catarata

Na lista de espera, a maioria dos pedidos de cirurgias é de catarata, hérnia, vesícula, amígdalas e adenoide, além de cirurgias ortopédicas. Os estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Ceará apresentaram o maior número de cirurgias pendentes. Entre as capitais e estados que disponibilizaram informações de perfil dos usuários, as mulheres representam 67% dos pacientes que aguardam algum tipo de procedimento especializado.

Angelita Máximo dos Santos, 53 anos, de Maceió, espera desde junho por um procedimento no olho. Depois de fazer pela rede pública uma cirurgia de catarata, ela teve piora no quadro de sua visão e foi encaminhada pelo médico para realizar um procedimento de lavagem da lente colocada na primeira cirurgia.

Com dificuldades para enxergar, Angelita teve que deixar o trabalho de doméstica e cuidadora de idosos, o que acabou reduzindo a renda mensal familiar. “Ele [o médico] disse que não podia passar os óculos, porque eu não estava vendo nada, então eu tinha que esperar a lavagem da lente e nunca ninguém ligou. Aí eu estou esperando”, relatou Angelita.

Médicos alertam que a demora na realização de determinado procedimento é decisiva no sucesso de um tratamento. O representante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Cristiano Caixeta, explica que a demanda por procedimentos nos olhos tem crescido devido ao envelhecimento da população, entre outros fatores. E a demora para atender todas as solicitações nem sempre está relacionada à falta de profissionais especializados.

Já Mauro Ribeiro, presidente em exercício do CFM, defende políticas integradas entre os entes federados. “O número de pacientes que precisam dos procedimentos e não tem acesso ao Sistema Único de Saúde é imenso. Tanto os dados do Ministério [da Saúde], quanto os dados do Conselho Federal de Saúde são subestimados, muito aquém da realidade. [….] É necessário que o governo federal estabeleça políticas públicas com os estados e municípios para poder organizar o sistema e dar acesso a esses pacientes ao sistema de saúde”, disse.


Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde informou que, em julho deste ano, foi fechada a primeira lista para cirurgias eletivas no SUS. A lista identificou pouco mais de 667 mil pacientes aguardando por algum procedimento eletivo no país. O ministério ressalta que em maio deste ano adotou o sistema de lista única para organizar a rede de saúde e diminuir a fila de espera. O novo sistema tem o objetivo de centralizar as demandas em um único cadastro e ampliar as possibilidades de atendimento do paciente para outros hospitais de sua região.

De acordo com o levantamento do CFM, o SUS realizou no ano passado mais de 1,5 milhão de cirurgias eletivas. O número é inferior aos anos de 2015, que registrou 1,7 milhão de cirurgias; e 2014, com o total de 1,8 milhão, com base em dados do sistema de informação do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde divulgou na semana passada balanço parcial de 2017, que mostra crescimento de 39% no número de procedimentos realizados na rede pública entre janeiro e setembro, mês que registrou mais de 150 mil cirurgias.

A pasta informou ainda que o governo federal repassa de forma regular mensalmente recursos de média e alta complexidade a todos os estados e municípios e ainda dispõe de R$ 250 milhões em valores extras que poderão ser liberados para os gestores locais. Cerca de R$ 41,6 milhões já foram liberados este ano para a realização de mutirões.

Por Eduardo Schneider


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